Uma ideia simples, levada ao limite
A regra cabe numa frase: toca numa cor e ela inunda toda a região ligada. O objetivo é deixar o ecrã inteiro de uma só cor no número de jogadas que o nível permite, nem mais uma. Os primeiros níveis ensinam sozinhos; depressa, porém, o jogo começa a exigir que penses três ou quatro jogadas à frente, como num tabuleiro de xadrez de papel.
O que segura tudo é a apresentação. As cores têm textura de papel pintado à mão, o som é discreto, e cada dobra tem um pequeno gesto de origami. É um daqueles jogos que dá gosto ver mesmo quando estás encravado.
O senão das dicas
Aqui está a ressalva honesta: os níveis finais são genuinamente difíceis, e é fácil ficar tentado a usar dicas. O problema é que as dicas se esgotam e o jogo empurra, com jeitinho, para as comprar. Não é agressivo ao ponto de estragar, mas quem quiser resolver tudo sozinho vai sentir a pressão. O download também é dos maiores desta seleção, algo a ter em conta em telemóveis com pouco espaço.
Vida para lá da campanha
Quando acabas os níveis oficiais, o jogo não termina. Há um editor e mais de um milhão de puzzles feitos pela comunidade, o que significa desafios praticamente infinitos e de dificuldade muito variada. É a razão pela qual muita gente o mantém instalado durante anos.
A história por trás
O KAMI 2 é obra da State of Play, estúdio de Brighton conhecido por jogos de forte identidade visual como Lumino City e INKS. O KAMI original, de 2013, criou a mecânica de dobra e inundação que aqui foi refinada. Esta sequela chegou em setembro de 2017, trouxe o editor de níveis e a biblioteca da comunidade, e mais tarde ganhou versões para Nintendo Switch e PC. É um caso raro de puzzle de telemóvel com pedigree de autor.
Para quem é
- Quem gosta de puzzles de lógica que recompensam a paciência, não os reflexos.
- Quem valoriza estética cuidada e quer um jogo bonito de ver.
- Quem procura desafio duradouro através dos níveis da comunidade.